Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007
O Pirata da Perna de Pau e o Klã Kaliano (Reposição)

Para que a memória não se perca, inicia-se hoje a reposição da saga

OS KALIANOS

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Cá voltamos nós ao início da  fábula.

De novo  uma aventura pelos mares de Itália e suas ramificações. A existência dos clãs e seu carácter mafioso.

Há uma história infantil chamada o Pirata da Perna de Pau, o tal com olho de vidro e cara de mau.

O que muita gente não sabe é que o dito pirata existe mesmo, tem raízes em Itália, mas, oh cruel destino, paira para os lados da Península Ibérica, e ao que tudo indica, foi em Portugal que se radicou.

Como todo o bom pirata, e como verdadeiro kaliano, tem todos os sinais de um autentico mafioso. Como todos os kalianos e mafiosos é sedutor, afável, e capaz de apunhalar quem quer que seja pelas costas, não olhando a meios para atingir os fins.

O pirata da perna de pau…

Este por acaso, e que se saiba, não tem olho de vidro.

Quanto a cara de mau estamos conversados. Não se parece com coisa nenhuma, mas também não precisa porque tem cara de kaliano.

Cara tem a ver com carácter, e como já se percebeu isso é coisa que ele, e aliàs os kalianos de um modo geral, não sabem o que é, mas também não lhes importa . O que interessa é atingir os fins.

Os meios são os que forem precisos.

Mas vamos à fábula…

 

Korleone Kaliano resolveu um dia que haveria de conseguir ficar com a pequena fortuna de um seu antigo colaborador, Giuseppe Petrovich.

A pretexto de uma inventada mal sucedida missão, Korleone Kaliano instalou-se nas cercanias de uma praia na costa ocidental da península ibérica.

Esquecendo propositadamente todas as anteriores missões de Giuseppe, contratou um capanga da mesma cidade onde aquele vivia para iniciar a táctica da ameaça e da tortura psicológica, chegando mesmo a raiar situações de massacre familiar.

O capanga contratado que, em termos de falta de carácter, nada ficava a dever aos kalianos, e ao que consta, tal capanga, embora nascido nas terras da ibéria, recebera formação em Itália, decidiu começar a tarefa de que Korleone Kaliano o incumbira, enviando  cartas ameaçadoras a Giuseppe Petrovich.

A primeira ameaça consistia em exigir avultadas quantias em dinheiro, como indemnização pela “suposta missão falhada”.

Aquilo que Korleone não contou ao capanga foi que o “aparente” fracasso da dita missão se ficou a dever à resistência, e posteriormente à negação por Korleone, das condições de sucesso que Giuseppe e outros elementos entretanto metidos na história lhe prupuseram para que a missão fosse levada a bom termo.

Giuseppe Petrovich, que preservava a honra acima de tudo, e não queria ver a sua família envolvida em situações de missões secretas, tinha como código de conduta um princípio, qual era o de não se deixar submeter a quem quer que fosse, nem ficar a dever favores para sempre impagáveis a ninguém, fosse a alguém do clã kaliano ou a qualquer outrém.

Aos primeiros sinais de ameaça, procurou outro capanga a quem pediu uma missão de sacrifício: Aguentar pelo maior tempo que fosse possível a táctica de massacre do inimigo até ter reunidas as condições para satisfazer a gula mafiosa e maquiavélica de korleone kaliano.

Este segundo capanga tentou  demover Giuseppe Petrovich das suas intenções, mostrando-lhe que, como aliàs ele próprio sabia, tinha mais do que razões para resistir e provar a maldade de korleone.

Mas Petrovich não aceitou.

Acima de tudo não queria submeter-se a uma prova de enxovalho perante korleone kaliano, nem mesmo perante qualquer outro kaliano, e muito menos ficar para sempre subjugado aos favores que alguns poucos kalianos decerto estariam dispostos a fazer-lhe para demover korleone e o seu capanga das suas mafiosas intenções.

É que Giuseppe Petrovich conhecia bem os kalianos, e sabia melhor que ninguém que estes nunca dão ou fazem nada desinteressadamente, e mais tarde ou mais cedo alguém viria cobrar-lhe o tal “pretenso” favor anteriormente feito.

Isto apesar de todas as dúvidas que (pese embora o sentido de família, a que todos os mafiosos, e também os kalianos defendem) korleone cedesse a qualquer influencia fosse de quem fosse.

A história termina, e isto para abreviar, com Giuseppe a conseguir desfazer-se dos poucos bens que tinha, e a incumbir o capanga que contratara de pagar ao capanga de korleone kaliano o que ele exigia.

Escusado será dizer que Giuseppe nunca mais quis saber de kalianos, e passou a viver absolutamente tranquilo e em paz consigo mesmo.

É que, quanto ao resto do clã kaliano, Giuseppe adoptou uma linha de princípio: “que passem bem, muito obrigado”.

Quanto a korleone kaliano, e à sua família mais chegada (isto é, pais e filhos) deverá ter ficado feliz da vida com aquilo que pensou ter sido uma vitória, babando-se no dinheiro que criminosamente extorquiu a um seu antigo colaborador.

Claro que para ele, como para os mafiosos e kalianos em geral, pouco importa se o dinheiro vem de forma mais ou menos criminosa.

Para eles as pessoas valem por aquilo que têm ou aparentam ter, e não por aquilo que são.

E assim acaba a história do pirata da perna de pau, sem olho de vidro mas com carácter de mau, chamado korleone kaliano.

Apenas para que conste, qualquer semelhança desta história com a realidade poderá ser que seja pura coincidência.

De facto o mundo das fábulas é de uma inesgotável riqueza.

 

HPeter, Fábulas

 

 

 



publicado por HPeter hdp às 00:03
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