Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
O Rei Da Cana De Pesca - III

OS KALIANOS

   

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Para que a memória não se perca

O Rei da Cana de Pesca – Parte III - Reposição

 

 

E eis que a raínha deu à luz. Um rapaz, bem encorpado, salvo erro já com um peso de dez quilos à nascença, e que, tendo sido concebido no tempo da real lua de mel na Sicília, trazia já consigo, decerto pura influencia astral, um certo ar afro-siciliano.

Por alturas do nascimento  real andava já Korahmud Saleh, acolitado por Dona Marileka e Dona Simplesmente Maria que, já sabemos, era vagamente descendente do reino da Jordânia,  a trabalhar na árdua tarefa de conseguir a plena integração dos Leones com os Kálios. Para isso, e com o devido consentimento de Dom Relkocheório, contaram com a preciosa colaboração de Dona Agrhilaira, duquesa do Repolho, e que já muito ajudara seu amado esposo, Dom Relkocheório, a fazer a completa integração de todo o reino de Trepucilgibski.

As coisas caminhavam sobre rodas, e tal era a evolução do processo que Peskaleone manifestou intenção de que seu filho, ainda não baptizado, o viesse a ser em terras da Sicília, encarregando Korahmud Saleh, e todo o seu séquito de apoio, a preparar o protocolo necessário.

A equipa de trabalho de Korahmud Saleh debatia-se entretanto com um difícil problema.

Tendo conseguido sensibilizar a população de ambos os reinos para uma futura integração, ao ponto de toda a gente estar já predisposta a conviver sob uma mesma bandeira, punham-se duas questões  fundamentais: onde iria ser a capital do reino, e que nome teria ele, ou seja, como fazer a unificação onomástica de Terradionda e Apeskáleira?

Convenhamos não ser tarefa fácil.

Com nomes tão arrevezados, conseguir criar um novo reino só com um nome que fosse, de algum modo, tradução da mistura daqueles dois, até parecia ser coisa praticamente impossível.

E quanto à capital do reino também não era fácil.

A rivalidade era entre Amarinhada, capital de Terradionda e Acaleirona, capital de Apeskáleira.

Dom Relkocheório chegou a sugerir que a capital do futuro reino fosse o Grã Ducado de Varalhais, pequeno enclave onde há muito conviviam cidadãos dos dois reinos.

Enquanto isto o recém nascido príncipe ia mamando, mamando, com Sua Alteza Dona Marcelináia a começar a ficar convencida que seu amado filho nascera com dotes de mamão, embora sem perceber muito bem a quem ele saía em tal assunto.

Perante a gravidade do problema Peskaleone e Marcelináia resolveram convocar o Conselho de Estado, do qual faziam parte o Intendente Mor do Reino, o já nosso conhecido Korahmud Saleh, Dona Marileka, marquesa de Painaguião, Dona Simplesmente Maria, condessa de Nestprório e vagamente descendente do reino da Jordania, Dona Agrhilaira, duquesa do Repolho, e Dom Santanana de Glugopes, recém chegado ao Grã Ducado de Varalhais, trazido de terras da Mauritânia por Korahmud Saleh.

A nomeação de Dom Santanana para o Conselho de Estado ficou a dever-se aos seus elevados estudos de anatomia patológica, e à sua inegável experiência quanto à produção de eventos sociais.

De resto em tempos idos Dom Santanana de Glugopes estivera a dirigir o reino de Fozigueira, o qual teve de abandonar porque os altos interesses do petróleo da Mauritânia o reclamaram para outras altas tarefas.

Em plena reunião do Conselho de Estado Peskaleone e Marcelináia puseram à discussão três assuntos:

-Qual o nome a escolher para o novo reino?

-Onde ficaria a sua capital?

-Qual o nome com que deveria ser baptizado o príncipe recém nascido?

Entretanto, com tudo isto, e com o tempo já decorrido, o dito Príncipe Herdeiro ia já nos quinzes quilos de massa corporal, não tendo chegado ainda a um ano de idade.

Os doutores do reino detectaram-lhe entretanto um pequeno problema de atrofiamento cerebral, que chegou a assustar toda a realeza, mas que viria a ser resolvido, segundo eles, logo que chegasse à idade adulta e assumisse a governação. Para isso, porém, era necessário que não parasse de mamar, e que fizesse toda a sua formação escolar e cívica numa qualquer das escolas da Congregação de DonaSantaMafiona.

A isto Peskaleone só disse: Assim será!

Na reunião do Conselho de Estado a primeira a falar foi a marquesa de Painaguião, Dona Marileka, que aliàs era sobejamente conhecida pelos seus dotes de eventual inteligência, que propôs o seguinte:

Nome do reino: Kaleiraionda;

Capital: Painaguião;

Nome do Príncipe: Célione.

A isto respondeu Marcelináia dizendo que Célione parecia nome efeminado. Então melhor seria Celiano, sempre tinha uma sonoridade mais máscula. Quanto aos outros dois assuntos reservava a sua opinião para mais tarde.

Depois de muitas discussões e propostas, o que se conclui da acta de tal reunião do Conselho é que o problema acabou por ser resolvido precisamente por Dom Santanana de Glugopes.

Esquecendo os nomes originais dos reinos a fundir, mas atendendo à designação dos povos que lhes pertenciam, os já sabidos Leones e Kálios, parecia-lhe mais sensato, e de nome mais facilmente aceitável por toda a internacional realeza, que o novo reino se passasse a chamar Reino Kaleano ou Kaliano se assim melhor se entendesse.

A capital deveria ser um lugar neutro, de modo a não ferir susceptibilidades, e daí sugeriu precisamente Varalhais, vindo ao encontro da opinião inicial de Dom Relkocheório.

E no que respeita ao nome do Príncipe Herdeiro, contou com a preciosa ajuda de Korahmud Saleh.

Já que o Príncipe, até por razões de saúde, deveria receber toda a sua formação nas escolas da Congregação de DonaSantaMafiona, e reconhecendo que o príncipe fora concebido em pleno acto amoroso real nas terras da Sicília, onde aliàs, por vontade paterna, iria ser baptizado,  o nome para ele mais adequado era, indiscutivelmente, Korleone.

E quando chegasse à idade de assumir a governação, nunca tendo deixado de mamar, como já sabemos, ficaria a ser conhecido por Dom Korleone Kaleano, ou Kaliano, se assim melhor se entendesse.

Consta da acta do Conselho que Peskaleone e Marcelináia choraram de comoção perante a proposta de Dom Santanana, e que a mesma foi aplaudida de pé, por todos os membros presentes.

E assim sendo, foi tal proposta aprovada por unanimidade.

Após o que, e já em terras da Sicília, se procedeu ao baptismo do Príncipe Herdeiro do Reino Kaliano, tendo ficado a chamar-se, para todo o sempre, Korleone Kaliano.

À cerimónia mais uma vez compareceram Carlos, Príncipe de Gales, Constantino da Grécia, Juan Carlos de Espanha e, para ainda maior brilhantismo, o Imperador Akágádhito do Japão.

Lamentavelmente também mais uma vez foi notada a ausência de Dom Duarte de Bragança.

Atendendo a que Apeskáleira era terra de pescadores, Peskaleone decidiu atribuir a seu filho o título de Príncipe da Cana de Pesca, o que o tornou, tempos mais tarde, em Rei de Kaliano, Dom Korleone, Rei da Cana de Pesca.

E aqui começa a saga de um reinado muito frutuoso.

Ainda não é, porém, o fim da história.

Bem pelo contrário, é quase o princípio.

 

HPeter, Fábulas.

 

 



publicado por HPeter hdp às 00:03
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